HQ reúne histórias do Demolidor com roteiro do cineasta Kevin Smith

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O cineasta Kevin Smith é conhecido por filmes com diálogos bem-humorados e que abordam temas tabus (como “Pagando Bem, que Mal Tem?”, sobre filmes pornôs, e “Dogma”, que tira onda da religião). Também se sabe que ele é um nerd fã de HQs, fixação visível em “Procura-se Amy”, que trata de dois quadrinistas.

Há um pouco disso tudo em sua estreia como roteirista de HQs por uma editora grande, em 1999. “Demolidor – Diabo da Guarda” reúne as nove histórias que Smith escreveu quando esteve à frente do título mensal do Demolidor, herói da Marvel.

O personagem é um prato cheio para abordar questões religiosas. Católico, o paradoxal Demolidor se veste como um demônio –todo de vermelho, com chifres e as letras “DD” estampadas em seu uniforme. Além disso, sua mãe converteu-se freira.

Esse contexto serve de premissa a “Diabo da Guarda”: um bebê é deixado com Matt Murdock (a identidade secreta do Demolidor). Há duas histórias sobre a criança: uma, de que ela seria o “redentor”, aquele que trará a paz ao mundo; outra, de que se trata do “anticristo”, o profeta do apocalipse.

Ao mesmo tempo, coisas estranhas acontecem ao redor de Murdock: seu melhor amigo é preso, acusado de assassinato, e o grande amor da sua vida reaparece –mas ela contraiu Aids. Como ficam esses acontecimentos na mente de um super-herói que não é exatamente equilibrado –a ponto de se vestir como um demônio para fazer ações heroicas?

“Diabo da Guarda” destoa das obras cinematográficas de Kevin Smith. Há o humor, os diálogos engraçadinhos e algumas menções sensuais, mas distantes das ousadias de seus filmes. Também não há a rebeldia, aquela vontade de chocar ou de transgredir. Pelo contrário: há respeito.

De todas as facetas mais conhecidas de Kevin Smith, a que mais transparece em sua passagem pelo Demolidor é o lado nerd e fã. Mais do que respeitar a cronologia criada pelos autores que vieram antes dele, ele presta homenagens: a história parte do que Frank Miller estabeleceu para o personagem; há participações de personagens coadjuvantes criados por escritores anteriores; e até Stan Lee, criador do Demolidor, dá o ar de sua graça (assim como o próprio Kevin Smith).

Ao fim da leitura, “Diabo da Guarda” figura mais como uma bem contada história de super-heróis do que como uma obra irreverente e criativa da carreira de Kevin Smith.

DIABO DA GUARDA
Autores: Kevin Smith, Joe Quesada e Jimmy Palmiotti
Editora: Panini
Quanto: R$ 28,90 (200 págs.)

Fonte: Folha Ilustrada

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