ENTREVISTA COM SIDNEY GUSMAN!!!

Sidney Gusman  “Os quadrinhos nas livrarias estão ficando cada vez mais caros e afastando o grande público!”

A formação de muitos como leitores se deve a leitura de histórias em quadrinhos (HQ) na infância e depois partem para os livros. Porém, alguns ao ultrapassarem esta fase do percurso do mundo literário não esquecem dos quadrinhos e os adotam como estilo e preferência de leitura. Outros vão mais além e têm essa paixão como trabalho, a exemplo do jornalista Sidney Gusman, 40 anos, desde 1990 escrevendo sobre o tema, possui artigos sobre os temas publicados em vários jornais (O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde) e revistas. Nos últimos cinco anos, recebeu o Troféu HQ Mix de melhor jornalista especializado em quadrinhos do Brasil. No entanto afirma: “Trabalhar no que gosta e ser reconhecido por isso é maior que HQ Mix ganho”. Atualmente trabalha como editor-chefe do site Universo HQ (http://www.universohq.com) e faz parte da equipe dos Estúdios Maurício de Souza. Durante sua participação no HQ Festival 2006 – 4º Festival de Quadrinhos de Sergipe, Gusman deu a seguinte entrevista.

HQ FESTIVAL – Quem é Sidney Gusman?

SIDNEY GUSMAN – Um jornalista apaixonado pelo que faz, essa paixão são as histórias em quadrinhos. Um cara super realizado na profissão, principalmente por conciliar no espaço da minha carreira o reconhecimento do público que é maior que qualquer HQ Mix ganho e conhecer o Brasil inteiro.

HQ – Como surgiu o interesse pelos quadrinhos? Quais os autores e leituras mais marcantes?

SG – Como qualquer criança, que se interessa pelos desenhos, fiquei fascinado e comprava cardizinhos. Brinco que é um vício, um vício do bem. Porém, pior que pinga, quando começa e quer parar, não pára. E assim nunca consegui parar de ler quadrinho. Tive a sorte de trabalhar na área, tenho lido mais e mais, trabalho com pesquisas no assunto. Os autores e leituras são muitos mais vamos lá: Asterix,de Bill Adam; Watchmen, de Alan Moore, Sandman, de Neil Gaiman; Companheiros do Crepúsculo, de François Bourgeon (a melhor HQ que li até hoje – e eu já li MUITA coisa!, a fase do Neal Adams e Denny O’Neil do Batman, entre outros.

HQ – De apaixonado por quadrinhos a profissional do gênero. Como tudo começou?

SG – No meu caso começou assim: Eu era estudante de Jornalismo. Passar a ser um profissional (de HQ) demorou muito, porque entre decidir e experimentar é um longo caminho. Ralei muito e fui cara de pau. Pois na faculdade com alguns amigos criamos um jornal mural no qual comecei a fazer algumas críticas de quadrinhos e entreguei vários desses textos (datilografados, em sulfite e com as pontas das folhas furadas – por causa das tachinhas) debaixo do braço e saí visitando as pessoas que escreviam à época. Aí, numa dessas visitas o Leandro Luigi Del Manto (Editora Globo) me ofereceu o que viria a ser a minha primeira matéria publicada: um artigo sobre quadrinhos e música, que saiu nas revistas Fantasma e Sandman, ambas no número # 7. Depois disso tive artigos publicados no Jornal da Tarde, Folha da Tarde, Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo.

HQ – No início, teve algum tipo de preconceito pelo fato dos quadrinhos serem considerados como coisa de criança?

SG – Sofri sim. Quando eu entrei na faculdade e comecei escrevendo sobre quadrinhos. (Com muito orgulho e daí?) Quadrinho é uma das mídias de entretenimento do planeta, uma das mais antigas e que dura até hoje. E que forma milhões e milhões de leitores pelo mundo afora e é tão considerável como cinema, TV e teatro e o que falta é o interesse em estudar o quadrinho. Costumo comparar as HQs com o cinema tem HQ erótica, comédia, terror, ficção científica, entre outros. Então a HQ é uma escola de comunicação como qualquer outra. Ele está na indústria da segmentação maravilhosamente bem vista.

HQ – Qual a atual situação do mercado? E a ida do HQ para a livraria?

SG – O mercado está em crescimento horizontal e isso é o que me preocupa. Porque impede a formação de novos leitores. Temos muitos títulos e poucas vendas. Por isso nosso crescimento é horizontal e dentro desse crescimento temos um grande campeão disparado que é o Maurício de Souza que tem um padrão de vendas bem elaborado.  Os quadrinhos na livraria estão ficando cada vez mais caros e afastando o grande público. Um quadrinho que custa 20, 30, 50 paus não vai fazer sucesso em banca, enquanto na livraria ele fica ali exposto para quem quiser comprar. O que falo e repito, essa situação impede a formação de novos leitores.

HQ – Em entrevista você afirma que estamos nos tempos da segmentação, que impede a formação de novos leitores. Essa não seria uma situação perigosa, pois o público acaba se dividindo entre Comics e Mangás. Como driblar tal situação? Sendo você um leitor de comics e editor de mangá?

SG – É perigoso sim, porque estamos tentando bater aquele que é um campeão de vendas (Mauricio de Souza) e estamos esquecendo de formar novos adeptos. Defendo que o quadrinho deve sair da livraria e ir para as bancas. Já que nas bancas, ao contrário das livrarias, o quadrinho não fica exposto e empoeirando na prateleira.

HQ – Por que o mangá tem atraído mais leitores que os outros tipos de HQ?

SG – Originalmente eu aprendi a gostar de super-heróis e aprendi a gostar de mangás, e o porquê do mangá está fazendo mais sucesso que os outros é o seguinte: Primeiro a história tem começo, meio e fim. (ao contrário dos comics). Segundo tem a força do anime, a possibilidade de ver a história em versão animada, com a vantagem de algumas diferenças do mangá, mas na maioria semelhanças que faz o leitor pensar: “Pô, se o mangá é bom imagine a versão animada?” E por último os japoneses trabalham muito bem o emocional da história. A identificação que rola com cada leitor é impressionante. Por exemplo, a superação de Goku (personagem do mangá Dragon Ball) a cada batalha é algo que qualquer um passa e se identifica.

HQ – Algumas revistas adotam designers que remetem a HQ. Seja no gráfico da revista, em tiras para explicar ou iniciar colunas, uso de infográficos. Que avaliação você faz desse processo?

SG – Isso é mais uma prova da importância dos quadrinhos. Um jornalismo sério usando uma tira de quadrinho para contar uma história. Prova a força que a HQ tem.

HQ – A adaptação de comics para o cinema, o que trouxe para o mercado?

SG – O cinema descobriu o que os leitores já sabiam: Os quadrinhos têm boas histórias e o cinema pode faturar um bom dinheiro com isso. A maior prova que o quadrinho cresce são essas adaptações, pois o número de pessoas que vão aos cinemas e que compram os produtos depois, supera qualquer outro título. Sem contar a qualidade das histórias.

HQ – Das últimas adaptações para o cinema, quais delas merecem destaque?

SG – Sin City é tão legal como filme devido à linguagem, que é mais quadrinho que cinema. Batman Begins, X-Man II, Spider Man.

HQ – Quando falamos em quadrinhos, logo lembramos de comics e mangás, e o quadrinho nacional fica a sombra da Turma da Mônica para o grande público. O que falta para ser bem sucedida a produção de quadrinho nacional?

SG – O quadrinho nacional faz sucesso. O que impede a entrada de muitos no mercado é devido ao pequeno retorno, mas o quadrinho nacional tem boa qualidade e o principal: boas histórias. Porém as editoras querem vender e o principal bater no Mauricio o que já é muita coisa. Também falta alguém que banque um grande projeto para o quadrinho nacional. A HQ é uma mídia que vive momentos esporádicos, principalmente com a ida das vendas para a livraria. Falta também um pouco de interesse dos grandes jornais nos trabalhos dessas pessoas, visto a força que a HQ tem.

HQ – Como se deu a parceria para você escrever um livro sobre o Mauricio de Souza (Maurício Quadrinho a Quadrinho, Editora Globo)?

SG – Tinha feito um projeto sobre quadrinhos para a Folha, um manual para se entender HQ. Para mim foi uma honra, uma serie de entrevistas e acabei de ganhar um grande amigo. Conhecendo o Mauricio descobri que além de um grande quadrinhista, é um bom empresário e pessoa.

HQ – E o site Universo HQ, como foi assumi-lo e tornando-o num site jornalístico sobre quadrinhos?

SG – O Universo HQ nasce como um site de fãs, mas com o convite de Samir Naliato dá um tom jornalístico ao site. Com a presença de entrevistas, matérias, notícias, reportagens, artigos e resenhas como é comum a qualquer site jornalístico de um determinado gênero.

HQ – Dentro das segmentações do ramo do jornalismo seria possível à formação de um jornalismo de HQ?

SG – Apesar de existir um curso de curta duração para escrever (produzir) HQ, a maioria dos jornalistas escreve sobre o assunto são profissionais apaixonados pelo tema. O quadrinho não é uma mídia que está em constante evolução, como é necessário para a produção de revistas, jornais, rádio, etc.

HQ – Você assina um artigo no Universo HQ sobre o quadrinho a serviço da educação. Sendo que o interesse por parte da maioria dos leitores na infância como se daria essa parceria entre HQ e Educação?

SG – O trabalho lúdico da HQ com a criança é muito prazeroso para o aprender, se o professor souber organizar e lidar com isso, teremos crianças mais cultas e participativas em sala de aula.

HQ – Falando em leitores, o que Sidney Gusman indicaria para a formação de um iniciante leitor de HQ?

SG – De cara Turma da Mônica, Asterix, Dragon Ball, Samurai X, a Saga do Super Man, Watchmen e Sandman (ordem crescente).

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